28/02/2026

A Roda da Fortuna

 A Roda da Fortuna no tarot, é literalmente dizer que aquilo que plantamos colhemos. Nada tem haver com uma sorte vinda do nada, faça por merecer que o merecimento virá. No Tarot Marselha há dois seres que movem a roda e um que fica no eixo, nem sempre estamos no topo, mas se permanecemos no centro, a roda vai girar a nossa volta e não nos moveremos. E tudo bem ficar no meio de um furacão, nem sempre prevemos e a tormenta chega, mas quando sabemos onde a tempestade está e vamos em busca dela, permanecermos parados, sabemos no fundo que seguro e confortável não é, mas estamos tão acostumados, que sair do meio disso nos causa mais medo do que permanecer ali. Girar a roda demanda força, por vezes ela volta, noutras gira numa velocidade desproporcional e em algumas vezes, nem gira por mais esforço que empreguemos, muitas vezes a quantidade de  força que empregamos é desnecessária ou empregamos força aonde não se faz necessário. Tudo é questão de aprender, adaptar-se e se não deu certo, mudar o ponto que seguramos a roda para gira-la.

É interessante quando deixei as coisas fluírem naturalmente, o entendimento veio de uma forma leve, delicada. Não digo-lhes que tirei de letra, muitas vezes entendi as coisas de forma equivocada, me apeguei a detalhes desnecessários e  esquecia outros, mas eu dava dois passos para trás e pensava: bem, posso recomeçar a montar esse quebra cabeça de outro jeito, começando por outra peça, do outro lado.- Eu parei de me apegar que tudo tinha que ter sentido, compreensão e um tempo para resolução. O que não entendi hoje, posso entender amanhã, o que não encontro entendimento muitas vezes não tem a necessidade de se entender. Buscar compreensão ao invés de entendimento, fez muito por mim. Pois o compreender, nem sempre fará algo por mim, o entender não muda o imutável. Aceitar juntar essas duas coisas, ai compreendo que nem tudo preciso entender.

Nem tudo é na perspectiva que tenho naquele momento, muitas vezes nem a possuo naquele instante, aprender leva tempo e ainda bem que leva. Aprendi que aquilo que eu gostava, nem sempre era porque EU gostava, mas porque me faziam gostar, desgostar, acreditar que um molde me serviria, sendo que eu mesma estava bem em não caber e em ser torta. Deixei de receber e ir atrás do que eu queria, pois me fizeram acreditar que eu não mereceria, me diminuíram quando eu estava tentando engrandecer. E eu deixei e isso é fato, pois era a única verdade que eu me concebia acreditar naquele momento...

Muitas vezes as coisas demoram para se encaixar, pois estamos aprendendo como encaixá-las, aprendendo que  nem tudo deve encaixar e paramos de perder tempo com miudezas e ilusões. Compreender que não há completude no outro, quem quiser fazer parte da nossa vida, quem quiser estar e permanecer, o fará sendo de verdade, não nos obrigando a completa-los e mentirmos para quem sabe, um dia cabermos ali, naquele espaço apertado. E nós, não buscaremos complemento no outro, vamos perceber que somos completos, pois nos fazemos presente na nossa própria vida. Ambos vamos apenas estar, vamos apenas permanecer e vamos abrir espaço adequado para que o outro entre. O mínimo  se torna usual e  não um plus, o mínimo é rotineiro e não precisa ser solicitado, agregar aquilo que  a gente não conhece, mas não se obrigar que isso se torne nosso e tome um espaço no qual não pertence. Me escondi, mas também, me vendei, no fim compreendi que não deixei muitas coisas no esquecimento, eu apenas não lembrava onde as guardei e falo das coisas boas.

Aprendi que há uma diferença em quem tenta ser e quem apenas é. Quem nos invalida, tenta ser o que não é, para nos apegarmos e depois nos apagar e nos descartar, esse nunca quis estar, apenas fez estadia pois no momento lhe cabia. Quem nos valoriza, apenas está, mesmo em ausência e pergunta se pode estar, nos pergunta se ainda pode permanecer. Um nos confunde e o outro é inconfundível. Paixão se  incendeia e se apaga, amor se alimenta gradativamente e muitas vezes  adormece, mas permanece presente dentro de nós e a cada dia que nos forçamos nos fazer presente em nossa própria vida, de lembranças simples o amor sempre está ali, na temperatura certa sem queimar. Por isso que muitas vezes, a temperatura está tão agradável, que nem percebemos que o amor que merecemos, está por perto e que também nos ama. Nos apegamos a paixões e nos apagamos por conta delas, ficamos cegos e não percebemos pequenos gestos de alguém que ama e prefere se fazer invisível, pois respeita nosso espaço. Mas que também pode ter te faltado a coragem por ter sido tão machucado, mas acredita que a ferida não deve ser cuidada, cicatrizada e tão pouco que deve  chorar quando dói, acredita que não merece ser amado, a coragem não vem e a voz emudece. Mesmo calado sempre esteve ali, pois muitas vezes as "paixões"  obscurece a visão, acovarda o coração e apaga nossa alma.Nos faz acreditar que o frio é o suficiente, que o frio os deixa mais forte, mas apenas nos faz sentir medo e incerteza, a não sentir mais nada além disso. Limitar-se é diferente de dar limites!

O amor não nos mata, quando nos amamos e aprendemos que podemos ser amados, criamos coragem e nos assumimos,  não aceitamos mais viver em ponto morto, não acreditamos mais  que migalha alimenta, amar é imperfeito, mas não significa que a imperfeição precisa nos machucar, nos matar, nos tratar como nada. Nossa essência, ela sempre está ali, dando uns safanões na nossa sanidade e mantendo nossa consciência viva, mesmo que por aparelhos. Fazendo que as lembranças que não computamos conscientemente, fiquem guardadas naquela gaveta de calcinhas sem vergonha, junto com aquele sabonetinho da lembrancinha da festa  de alguém, é cheiroso, mas não o suficiente para disfarçar o cheiro que a passagem do tempo deixou,  incomodados  decidimos fazer uma limpeza e no fim, a faxina trás descobertas.

Minha roda da fortuna demorou 20 anos para girar, mas ela girou e o som que ela tem enquanto gira, é uma mistura de terminal rodoviário e alguma banda cover tocando em algum encontro de motociclistas, o cover é ruim, mas a gente não liga, pois está feliz em dançar mesmo assim.

"Lamente a verdade, a face do destino, e vença todo o passado"

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