Há dias como hoje em que não acordo muito bem. Fico na cama até mais tarde e converso com meu companheiro sobre as minhas aflições. Voltei diferente daquele lugar; muitas vezes não me sinto mais eu mesma e fico a vagar entre o meu antes e o depois da internação.
Por vezes há dias bons, mas, na maioria das vezes, limito-me apenas a escrever e isso me chateia, me irrita e me deixa frustrada. Parece que a medicação não dá conta. Fui vítima de uma profissional que imprimiu suas próprias frustrações em mim e desistiu de me tratar. Há dias e dias. As noites, muitas vezes, são longas, e eu fico a vagar na cama, de um lado para o outro.
Há dias em que me sinto esperançosa; em outros, sou apenas um fragmento do que já fui mas, na maioria das vezes, estou inerte, frustrada e triste. Eu não queria que fosse desta maneira, mas hoje está sendo. E, bem, faz parte da minha jornada, não é mesmo?
Escrevo para mim, talvez para mais alguém mas eu apenas escrevo. Hoje eu não acordei muito bem… mas quem sabe amanhã eu acorde melhor?
Talvez eu ainda não me reconheça por inteiro, mas sigo aqui. Respirando. Tentando. E, mesmo nos dias em que tudo parece pesado demais, há algo em mim que insiste em permanecer. Talvez isso também seja uma forma de esperança.Entre o antes e o depois, sigo me reconstruindo em silêncio. Não sou mais a mesma e talvez nunca seja. Mas ainda há vida em mim, mesmo que, por agora, ela respire baixinho.